não sabíamos, acredito eu, que haveria uma novidade prestes a saltar de um dos quatro para o quarto: perderemos para o mundo um de nossos membros. não é o sexual, estes continuam firmes e funcionando, mas fará tanta falta como ele. essa impiedosa criatura nos aleijará, mas, como já foi dito pelos sábios, e eu não vou mencioná-los porque não sei quem são, apenas repasso o que ouço do povo, tudo se supera.
o quarto teria tanto a dizer se lhe fosse dado o dom da fala. qantos fatos se perderam sem que qualquer de nós pudesse lembrar. talvez, ele, sóbrio, pudesse nos dizer tudo o que nos fosse impossível lembrar: as expressões de surpresa, decepção e alegria que cobriam nossas faces enquanto tudo o que era possível perceber não passava de visões distorciadas que dali a pouco se perderiam nos confins mais remotos de nossos cérebros [viajei, admito].
penso que é melhor que o quarto seja desprovido do dom da fala e que nós não tenhamos condições de lembrar de todas as coisas que aconteceram alí, assim o relato torna-se mais sucinto e menos revelador.
é certo pensar que muitas das coisas que alegamos terem sido esquecidas, na verdade, não foram, mas é importante também saber que fingir esquecimento é o melhor para nós quando se trata de determinadas lembranças. então, fica assim, a gente finge que não lembra. vou me lembrar de esquecer tudo isso.
na última quarta-feira, que não foi ainda a última, houve momentos de apreensão por parte do “truque”. o truque, como já podemos notar nessas fatídicas quartas-feiras, não se dá o direito de desfrutar dos benefícios que o "produto do dia" lhe proporciona, como acontece com os demais. uma pena. lamentável. é um desperdício de alegria, de euforia, de energia. há malícia, segundo ela, em cada uma das sílabas ditas quando estamos nadando em êxtase. enquanto torramos energia numa confusão de pensamentos e palavras desconexas, ela usa toda a concentração para avaliar tais palavras. preciso lembrá-la, e arrisco dizer que este seja o momento e o lugar apropriado, que é desnecessário buscar algum sentido nas palavras ditas, uma vez que elas não vêm acompanhadas de sentido algum. saem aleatoriamente, sem o propósito de julgar, ofender ou diminuir ninguém. são palavras inofencivas. relaxa... e se gozar em público te fizer bem, siga o conselho de marta.
vale lembrar que quando estamos juntos e eufóricos três e três são sete. salve a mulatada brasileira! eu tinha que dizer isso ao fim do texto, não me perguntem por quê.
"a [injustiçada] tripa"
muito, muito filosofico mesmo!
ResponderExcluir