"a [humilde] tripa"
segunda-feira, 29 de março de 2010
eu não sou cachorro, não.
"a [humilde] tripa"
quando três se tornam dois.
não sabíamos, acredito eu, que haveria uma novidade prestes a saltar de um dos quatro para o quarto: perderemos para o mundo um de nossos membros. não é o sexual, estes continuam firmes e funcionando, mas fará tanta falta como ele. essa impiedosa criatura nos aleijará, mas, como já foi dito pelos sábios, e eu não vou mencioná-los porque não sei quem são, apenas repasso o que ouço do povo, tudo se supera.
o quarto teria tanto a dizer se lhe fosse dado o dom da fala. qantos fatos se perderam sem que qualquer de nós pudesse lembrar. talvez, ele, sóbrio, pudesse nos dizer tudo o que nos fosse impossível lembrar: as expressões de surpresa, decepção e alegria que cobriam nossas faces enquanto tudo o que era possível perceber não passava de visões distorciadas que dali a pouco se perderiam nos confins mais remotos de nossos cérebros [viajei, admito].
penso que é melhor que o quarto seja desprovido do dom da fala e que nós não tenhamos condições de lembrar de todas as coisas que aconteceram alí, assim o relato torna-se mais sucinto e menos revelador.
é certo pensar que muitas das coisas que alegamos terem sido esquecidas, na verdade, não foram, mas é importante também saber que fingir esquecimento é o melhor para nós quando se trata de determinadas lembranças. então, fica assim, a gente finge que não lembra. vou me lembrar de esquecer tudo isso.
na última quarta-feira, que não foi ainda a última, houve momentos de apreensão por parte do “truque”. o truque, como já podemos notar nessas fatídicas quartas-feiras, não se dá o direito de desfrutar dos benefícios que o "produto do dia" lhe proporciona, como acontece com os demais. uma pena. lamentável. é um desperdício de alegria, de euforia, de energia. há malícia, segundo ela, em cada uma das sílabas ditas quando estamos nadando em êxtase. enquanto torramos energia numa confusão de pensamentos e palavras desconexas, ela usa toda a concentração para avaliar tais palavras. preciso lembrá-la, e arrisco dizer que este seja o momento e o lugar apropriado, que é desnecessário buscar algum sentido nas palavras ditas, uma vez que elas não vêm acompanhadas de sentido algum. saem aleatoriamente, sem o propósito de julgar, ofender ou diminuir ninguém. são palavras inofencivas. relaxa... e se gozar em público te fizer bem, siga o conselho de marta.
vale lembrar que quando estamos juntos e eufóricos três e três são sete. salve a mulatada brasileira! eu tinha que dizer isso ao fim do texto, não me perguntem por quê.
"a [injustiçada] tripa"
sábado, 20 de março de 2010
O favor de D'antena
(seria muito de bom tom que não respondessem a essa observação)
Cheguei em casa juntamente com 'tripa' para mais uma sessão "sorria", quando o elemento causador de tanto ofuror por parte da tríplice apareceu, trocamos "favores" para permitir sua entrada e pronto, entramos os três em casa. A 'trinca' chegou logo depois, então todos bebemos e sorrimos e fizemos a coisa "andar" com o favor de D'antena.
Estou, sordidamente, sendo mal interpretada por esses dois da tríplice, uma vez que na minha infinita inocência, nem percebi que havia olhares e muito menos q eu era sexualmente ativa. Isso deve ser bom, se fosse verdade. Devo dizer que meus instintos estão muito bem guardados, embora escape algo de vez em quando, obrigada. Enfim, não entendi muito bem o motivo pelo qual a 'trinca' resolveu suspender a bebida, foi um tanto chocante para minha pessoa que, naquele momento, conversava avidamente com o novo elemento daquele recinto, enquanto a 'tripa' e a 'trinca' pulavam e rebolavam ao som mágico com setas mirabolantes, e eu, ansiava por um golinho daquela bebidinha gelada, a qual nos foi negada (sabendo eu q existia mais, ali por dentro). Aquilo foi uma afronta, na verdade não foi, eu que, com meus achismos, pensei q fosse. Fui eu mesma buscar e voltei feliz da vida, com olhos desafiadores para 'trinca' e 'tripa' que me olhavam implorando não-sei-o-que. Entendi nada. Continuei conversando com aquele quarto ser, lentamente.
Gosto desses dias de reunião, é sempre muito produtivo e "eu fico louco, eu fico fora de si. Eu fica assim, eu fica fora de mim.." a maior parte do tempo. Já sei namorar, mas naquele momento eu não queria, e a dupla da tríplice deveria ter percebido a minha inocência sedutora.
Com a partida de D'antena, me juntei à dança tripla que estava descompassada sem mim, na verdade eu achei q estivesse. A 'tripa' sempre dá show quando começa dançar. Muito ágil. Trinca, resolveu nos abandonar e encarar a cozinha. Gosta tanto da dança, mas foi com toda a garra preparar algo pra gente. Comemos, morgamos e não mais dançamos. Foram embora e fiquei só novamente.
Observação¹ --> Não acho trinca sem coordenação, pelo contrário, acho muito "Cirque du Soleil", só ela faz aquele malabarismo com as pernas e, talvez isso seja o maior desafio, não apenas ser ágil ou coordenada.
Observação ³--> Ele é muito esperto. Aliás, esperto é pouco. Ali nunca quer sair perdendo.
Última observação--> Acho que é isso que mexe, talvez, comigo. A pirraça me alegra. O poder de deixá-lo com um não (quase dizendo sim) me deixa muuito satisfeita às vezes e aí vocês ficaram "eu fica assim, eu fica fora de mim..." também, e vendo coisas que não existem.
fui contraditória, né? Tsc...
: (
"o truque"
o quarto elemento
o quarto já não era mais habitado por quatro, pois o quarto acabara de nos transformar no que éramos: a tríplice. sua partida deixou alguns de nós mais à vontade. músicas psicodélicas passavam por nossas cabeças enquanto nossas pernas tentavam fazer o trabalho de dez, seguindo as setas que vinham de todas as direções e numa velocidade que a trinca não conseguia acompanhar. pobre trinca, tão cansada, esgotada, desiludida com sua precária coordenação.
ao fim do baile frenético e do lamento da coordenação deficiente, partimos, tornando-nos então uma dupla, que ao fim duma breve ladeira tornou-se apenas um - eu - que seguiu por quilômetros remoendo os acontecimentos que agora pareciam fazer sentido.
"a tripa"